C'est finit
http://cataclismos.blogspot.com/
Escrito por RavenOuS às 00h55
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Reencontro
Uma viagem ao passado. Um ano e meio que parecem dez. Alguns cabelos mais compridos, mais barbas, mais maquiagem, mais músculos, mais dinheiro, mais carros, mais...nada. Sensação de vazio que, pela primeira vez em muito tempo, não pertencia a mim. Não mais. Era coletiva e de ninguém.
Felicidade por não ser mais de lá, não estar mais lá, de ser um outsider. Sim, você tem seu espaço, não é aqui. Ninguém o expulsou, você se encontrou. Altos e baixos à parte, é lá. Não é mais aqui. Ainda bem.
Escrito por RavenOuS às 00h24
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Baile de Máscaras
Piscinas olímpicas, rios, mares...de vazio. Multidões, rodinhas, grupos, pessoas, coletivos, individuais. E nada aparece, só parece.
O vácuo é só meu? Um encontro tonto de crostas, ninguém sabe o recheio. E ninguém parece querer saber. Mas, sim, você, na verdade eu, é o único panaca que pensa nisso. Que pensa. Pensa?
Por mais que eu engula confetes, o amargor do café, da cerveja, ainda resta. Parafraseando um samba-enredo de 1990 e sei lá quando: tristeza não tem fim, felicidade sim. Talvez, só para mim.
A incapacidade de construir sentidos é a maior demonstração de sentido. A festa é sempre agridoce.
Escrito por RavenOuS às 23h35
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Do the math
0,1,0,1. Estranho notar como algo tão extraterrestre como o código binário passou a reger este mundo. Deve ser porque tal precisão, exatidão, vem na contrafluxo de nossa constituição (em todos os sentidos) ilógica, contraditória, irracional. Até o nosso tão cultuado cérebro não é cerebral na acepção da palavra. O coração, as entranhas, na verdade, são uma parte obscuramente latente (ou seria latentemente obscura?) da razão.
Razão? O que se chama de razão eu chamo de sinapse, porque nãoo há nada, nenhum puppeteer neste plano que explique o porquê de nossas ações, raciocínios. O que está por trás de zeros e uns não é e nunca será justificado por meio de uma coerência absoluta. Níveis e mais níveis de caos. Boa sorte.
Escrito por RavenOuS às 11h59
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Notas de rodapé
Ouvi outro dia que a tristeza é algo usado como máscara de maturidade, segurança, reserva. Eu a uso (ou será que ela me usa?; relações recíprocas que embaralham percepções) como um escudo; por trás desse escudo, frangalhos, vísceras, algo que se dilacerou vagarosamente, numa imagem contraditoriamente coerente.
O momento da escrita caiu em vulgaridade. No entanto, parece que encontrou um porto seguro para sua expressão descompromissada, sem remuneração, avaliação, insegurança ou julgamento (será?). A miséria. Miséria fútil, mimada e estúpida, ainda sim miséria.
Tal como a tristeza, a expressão rápida e hermética é um sintoma de uma insegurança atroz, de uma infantilidade tremenda, de uma instabilidade completa, de uma incompetência sem par, de uma covardia eterna, de um medo escroto, de uma mente fraca. Assinado: eu mesmo.
Escrito por RavenOuS às 21h16
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Revide Bula
Num plano geral, tão torpe quanto as análises superficiais são e necessitam ser, os rumos, os prumos parecem estar tranqüilos, interessantes, o mais perto daquele ideal - que nem sei qual é – possível. E mesmo assim, aquela maldita sensação de wrong way, de estranheza, permanece lá, como um cancro de diamante. Mania escabrosa de querer seguir roteiros, adotar modelos, tecer comparações (tema recorrente à enésima potência). Não assisto a comédias românticas, ver novelas por mais de cinco minutos me irrita, mas o meu inconsciente mais-que-consciente cisma em querer perseguir arquétipos fora da minha realidade, anacrônicos com o que sou, fui, serei. Fórmula para a felicidade? Felicidade...é não saber que existem fórmulas.
Escrito por RavenOuS às 18h16
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(Sob)re Jornalismo
Eis o canto da sala, novamente acolhendo aquele que quer fugir do blablablá eterno (desta vez, da deontologia jornalística); se jornalismo, o pensamento jornalístico, se faz pelo que (não) se apre(e)nde nas aulas, há uma grave crise ontológica em tudo isso. Há coisas que não se teorizam; estudo de caso. Enterro do curso, uma estaca no morto-vivo. Será que a crítica ao curso provém da crítica inerente do (futuro) profissional? Profissão do inconformado ou do não-formado? Seria do deformado? Embalando peixe para um povo surdo...mudando o mundo? Um meio-termo, talvez.
Escrito por RavenOuS às 21h31
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Cláusula pétrea
Um monólito, dos mais resistentes, parece até diamantado. Impávido, incólume, imperioso. “In” de “dentro”? Negativo, “in” de “não”. Barreira que isola, sem querer isolar. E, enquanto os ventos exteriores criam a mentalidade coletiva de que dentro do monólito há serenidade, quiçá transcendência ou uma reserva do inalcançável, o monólito sangra, sem o menor sinal de estancar. Hemorragia eterna, coágulos amargos...um belo dia, urubus sobrevoarão e pousarão placidamente sobre o monólito.
Escrito por RavenOuS às 21h35
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Retalhos
Bloqueio mental. Neurose. Enrijecimento dos neurônios criativos. Coesão, existência, factualidade. A volta das orações sem verbo. Velhice, a ampulheta, o agridoce. O doce som das guitarras, o compasso mórbido da percussão.
Pausa; peguei nojo do pseudo-cult, do falso-beletrismo, do pouco-de-mim que insistia em estar à tona, encobrindo a criança soterrada na infância. Sim, não preciso de letras garrafais no café da manhã para discutir a questão curda no almoço.
A escrita da felicidade é minguada e rara, vendida a granel em bookstores, elencada em mandamentos. A da tristeza transborda em ferida purulenta, em blocos polpudos de papel, caros como passar pela dor que os cria.
Todos vivem sob drogas; maconha, novela das 8, chocolate, vida dos outros, computador, música, 51, 666, 69, 11.
English sounds perfectly in songs; otherwise, it looks raspy in writing lines.
I’m feeling like a nine-year-old, trying to build a statement with a minimum sense.
Escrito por RavenOuS às 01h27
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Bandeira branca
Mais de duas semanas sem postar, penso num assunto. Vejo blogs com os mais diversos assuntos: coleções, línguas, igreja, África, cinema, novela...e nada me inspira a escrever, apesar da qualidade dos textos referidos. Comentar alguma notícia? Não sei, política externa, que eu comentava antes sem pudor até, me parece algo demasiado sério e complexo para ser tratado no meu blog. Motivos de vida, como a busca incessante pelo estágio ou emprego efetivo de fato ou a perda de uma paixão ou algo que a valha, estão ausentes na minha vida, jogo-os de canto pela simples inaptidão de lidar com os mesmos. Ultimamente, li livros sobre nacionalismo(s), globalização e idiomas (os dois últimos a terminar), além de diversas outras coisas menos importantes, mais dignas do período de férias. Enfim, muita informação e pouca concatenação. Será que é o efeito de saber que o hobby, talento, chame do quiser, se tornará ganha-pão? O blog parece minguar: ou eu.
Escrito por RavenOuS às 00h50
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Showtime
Esportes são ótimos para metáforas; não muito por questões de lirismo ou pompa, mas sim de clareza, de noção de realidade. Vida como um rinque de patinação no gelo: não artística, por favor, a de velocidade. Aquela aflição em uns passarem os outros, concomitantemente com o total individualismo, além da postura corporal agressiva, retraída, aerodinâmica porém desconfortável para o dia-a-dia. Eis que surge a propriocepção negativa: enquanto vejo concorrentes (será?) planando sobre o gelo, deixando riscas harmônicas, encontro-me patinando em falso, riscando de forma tal agressiva o gelo até formar uma poça (ok, isso não aconteceria em pistas de ginásio, mas num lago canadense ou escandinavo – sem fetiches, só exemplificações) e eu afundar nela, abruptamente, só com a cabeça para fora, de forma a apreciar a vitória inconteste de meus adversários e os risos incontidos de humilhação na platéia. A platéia, no entanto, é diferente das outras: há milhares de eus. Sim, somente cópias de mim troçando o fiasco de patinador que sou. Enquanto isso, o corpo congela.
Escrito por RavenOuS às 01h15
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Mensagem de fim de ano
Odeio dezembro e sua maldita exposição. Exposição de famílias felizes – fingidas – , de desejos (falsos) de paz e alegria para todos (certeza de uma hecatombe de psicólogos, donos de indústrias de armas e remédios, entre tantos outros mais) e de toda hipocrisia que permeia o último mês do ano. Exposição de mim, seja pelo tédio que denuncia o vazio do meu cotidiano sem aquilo que me é de certa forma imposto, seja pelo calor que expõe aquilo que não quero ver, me ver. Todos os podres, de todas as matizes e pútridos odores, são escancarados no mês que deveria ser dez, e é doze. Até nisso é falso. Vamos brindar o nascimento pagão do filho do deus cristão, que, para mim, não importa mais, virou uma desculpa de um jantar desconjuntado à meia-noite, em volta daquele chester. Até o frango é exagerado. Vamos, pois, no último dia do mês da alegria, nos esbaldar do álcool encanador e/ou da empolgação e da esperança efêmeras de uma troca de calendário de uma imposição de um povo que aqui, e não só aqui, ganhou o direito de dominar as rédeas do tempo na faca, na arma, na bomba. Porque, para cada rojão, deve haver um número de gentes não-dispostas a serem catequizadas mortas pelo calendário gregoriano. Who cares? Seja feliz e não me encha o saco. Ho, ho, ho.
Escrito por RavenOuS às 12h43
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http
Há um grande descompasso entre o mundo “virtual” e o “real”, isso é fato (coloco os dois termos entre aspas porque já senti na carne um estragando outro). Pessoas lacônicas se tornam falantes, durões adquirem coração mole, protobeatas se tornam devassas, aquele cidadão correto vira um delinqüente, ou quase isso. A pergunta é, depois de Orkut, YouTube, IPod, processos (sente a idéia fixa), Messengers, Counter Strike, Second Life, entre outros tantos filhos da era da informática em seu pleno vigor interativo: qual é o mundo real e qual é o mundo virtual? Parece que a realidade material está embaralhada, entrecortada, carente de dimensões, limitada, e a realidade virtual, nem precisa se discorrer sobre. Por que seu blog ou seu Orkut diz mais a mim sobre sua vida que você, de carne e osso, na minha frente? Ou o problema é generalizado ou desligo a minha tomada.
Escrito por RavenOuS às 01h15
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Resultado
Cair no clichê e começar retrospectivas. Pois é. Parece-me um caminho inevitável e, tentarei, no limiar da criatividade, contornar esse clichê.
Ano conturbado, com suplícios e néctares, conseqüências do fatídico 2005. Encarei a realidade - admito que de forma bem açucarada - e também encontrei uma realidade paralela, devidamente coberta de glacê tal qual. Uma me fez ver como eu me subvalorizo; a outra me fez ver como eu me supervalorizo, no mais medíocre paralelismo maniqueísta.
Certezas implodidas, sabedoria que me faz cada vez mais cônscio da minha ignorância: quanta gente essencial, quantas coisas dispensáveis. Será que me tornei um ser humano altruísta? Pelo contrário, sinto meu egoísmo cada vez mais pungente. Sinto, mas nem sempre o sentimento corresponde aos fatos. E, na maioria das vezes (ou se sente que é a maioria), os sentimentos são os fatos, e os fatos, bem, só um recorte. Recorte de uma nota de jornal.
Escrito por RavenOuS às 20h04
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E la nave va...este não é um blog inteligente
Fim do hiato.
Ia falar do eterno conflito entre meu espírito conciliador e minha intolerância que lembra o Taleban. Porém, surge um Homer Simpson vestido de diabo e com chocalhos na mão dançando no túmulo de um “bom Homer”. Mais uma vez, um episódio supostamente idiota me fez pensar em quão idiota, na verdade, sou eu. Na verdade, isso remete a uma das conclusões tiradas por mim: todo mundo, inclusive eu, não agüenta mais esse rosário de rosários sobre a minha – sim, desinteressante, não é tão fácil assim se livrar de concepções negativas – vida; a outra (você queria o quê, uma monografia sobre a infinitude do meu ser?) é que eu me levo a sério demais, vide todos os posts pomposos sobre...nada?
Enfim, a conclusão é que não há conclusão alguma, e nenhuma conclusão provavelmente sairá a não ser que continuarei a escrever aqui algo que alguém poderá ler – ou não.
Escrito por RavenOuS às 21h56
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